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| DebCarOli |
| Débora Carvalho de Oliveira |
13/05/2009 20:19 Churrasco... O que é um Churrasco? (Escrito por uma mulher )
O churrasco é a única coisa que um homem sabe cozinhar, e quando um homem se propõe a realizá-lo, ocorre a seguinte cadeia de acontecimentos:
01 - A mulher vai ao supermercado comprar o que é necessário.
02 - A mulher prepara a salada, arroz, farofa, vinagrete e a sobremesa
03 - A mulher tempera a carne e a coloca numa bandeja com os talheres necessários, enquanto o homem está deitado próximo à churrasqueira, bebendo uma cerveja.
04 - O homem coloca a carne no fogo.
05 - A mulher vai para dentro de casa para preparar a mesa e verificar o cozimento dos legumes...
06 - A mulher diz ao marido que a carne está queimando.
07 - O homem tira a carne do fogo.
08 - A mulher arranja os pratos e os põe na mesa.
09 - Após a refeição, a mulher traz a sobremesa e lava a louça.
10 - O homem pergunta à mulher se ela apreciou não ter que cozinhar e, diante do ar aborrecido da mulher, conclui que elas nunca estão satisfeitas......
DIREITO DE RESPOSTA (Escrito por um homem)
01 - Nenhum churrasqueiro, em sã consciência, iria pedir à mulher para fazer as compras para um churrasco, pois ela iria trazer cerveja Kaiser, um monte de bifes, asas de frango e uma peça de picanha de 4,8 Kg que o açougueiro disse ser 'Ótima', pois não conseguiu empurrar para nenhum homem.
02 - Salada, arroz, farofa, vinagrete e a sobremesa, ela prepara só para as mulheres comerem. Homem só come carne e toma cerveja.
03 - Bandeja com talheres? Só se for para elas. Homem que é homem come churrasco como tira-gosto e belisca com a mão, oras!.
04 - Colocar a carne no fogo??? Tá louca??? A carne tem que ir para a grelha ou para um espeto que, a propósito, tem que ser virado a toda hora.
05 - Legumes??? Como eu já disse, só as mulheres comem isso num churrasco.
06 - Carne queimando??? O homem só deixa a carne queimar quando a mulherada reclama: 'Não gosto de carne sangrando'; 'Isto está muito cru'; 'tá viva??'. Após a décima vez que você oferece o mesmo pedaço que estava ao ponto uma hora antes, elas acabam comendo a carne tão macia quanto o espeto e tão suculenta quanto um pedaço de carvão.
07 - Pratos? Só se for para elas mesmas!
08 - Sobremesa? Só se for mais uma Skol.
09 - Lavar louça? Só usei meus dedos!!! (e limpei na bermuda).
Realmente, as mulheres nunca vão entender o que é um churrasco!!! Débora Carvalho de Oliveira | comentários(0)
22/01/2009 16:13 O DIA EM QUE A TERRA PAROU  No último domingo, assisti remake da ficção científica de 1961: "The Day the Earth Stood Still" - com Keanu Reeves no papel de Klaatu. Mais uma vez o ator renasce depois de adulto, como em Matrix. É muita meleca pra encarar. O Wagner não gostou muito da história. É meio bobinha, na verdade. Mas algumas das cenas e falas foram interessantes. Juro. A direção de O dia em que a terra parou é de Scott Derrickson, e a história é baseaca no conto de Harry Bates. Não assisti o filme anterior, então não tenho muito o que falar.
Mas desse remake, gostei do perfil dos cientistas. Especialmente da linda Jennifer Connelly, que já fez Diamante de Sangue. Não imaginamos astrobiólogos com o perfil de Helen Benson.
O modo como ela cuida do enteado é tocante. Mas o pirralho bem que merecia uns cascudos, pois não confia nela. Detalhe é que o pivete muda de idéia com a maior naturalidade: "Eu falei pra Helen que a gente tinha que te matar. Agora não quero mais." - Típico. Mas interessante.
Achei um tanto tosco o fato de ter aparecido um cara ET que vive na terra há 70 anos e que agora aprendeu a amar esse povo e quer morrer com eles. Depois não mostrou mais nada sobre esse senhor, que veio colher um relatório para mostrar se a humanidade iria "se tocar" e mudar o modo de vida.
Uma coisa que entriga é que tudo acontece nos Estados Unidos. Em todo filme de fim dos tempos, a coisa começa lá nos Estados Unidos. É assim em Independence Day, em Armagedon, em Sinais, em tudo. Talvez até no Apocalipse. Tudo bem, patriotismo, eles precisam ser as vítimas e os mocinhos. Mas é um detalhe que enche a paciência, né?
Quando Helen pergunta a Klaatu se ela se enganou, se ele é nosso amigo e ele responde: - Eu sou amigo da Terra - Ficou muito na cara que ele veio salvar a terra dos humanos. Aí, o resto do filme é só para mostrar como isso não vai acontecer.
Achei aquele robozinho muito nada a ver. A computação gráfica não ficou legal. O interessante é que "Ele só reage à violência".
Também foi muito melodramático o fato de Helen ser alguém com todo aquele poder de influência, e depois de tanta coisa destruída a secretária de Estado permitir que ela dialogue com o ET e tente convencê-lo a não destruir a raça humana. Regina Jackson (Kathy Bates) parecia mais uma barata tonta que não sabia o que fazer e o que não fazer. Tentando parecer durona e sem poder de influenciar o presidente - oposto de Helen. O raciocínio de Regina, que afirma que a civilização mais fraca sempre é escravizada ou extinta, e sua ação de tentar prender Klaatu é sem nexo, pois se os de fora são mais poderosos, de que adianta causar ainda mais destruição? Foi o resultado de terem capturado o "robô".
- Este planeta não é de vocês, e - Você responde por toda a raça humana?, foram frase marcantes. Realmente: quem é que disse que temos o direito de destruir o "nosso" planeta? E como alguém toma decisões cruciais em nome de "toda" a humanidade? - Tá aí um tema interessante para se pensar.
Fiquei refletindo sobre a idéia de que é quando estamos à beira do abismo que evoluímos. Isso me pareceu o resumo de muita coisa que já me aconteceu na vida... e em meio às cinzas das frustrações eu renasci... rs... Também gostei da forma como o velhinho amigo de Helen pediu que Klaatu permitissem os humanos viverem seu abismo, porque o planeta dele já tinha passado pelo seu. Gosto do senso de justiça.
Achei interessante, porém um pouco fraco o modo subjetivo de alusão à "Arca" . Só quem conhece a história bíblica de Noé e o dilúvio entendeu aquela parte e a alusão. Ainda mais quando a Secretária de Estado disse: Depois disso vem a enchente.
Nesse filme presenciei a prática da tendência de mídia em invadir as histórias. Tudo o que foi apresentado no MaxiMidia 2008 estava naquele filme: Mc Donald's, o Honda Civic... LG no notebook, e outros, de forma muito escancarada. Diferente de outros filmes.
No final, a terra pára. Klaatu vai embora, salva a vida de Helen e seu enteado, e tudo o que é mecânico pára de funcionar. Eu acho que o filme não podia ter terminado aí. Queria ver como as pessoas iriam encarar isso, saber se tudo parou apenas por alugns minutos... enfim... aí viria a ficção. Sei lá. Eu acho que o autor poderia ter explorado um pouco mais essa parte fictícia, até mesmo da convivência do ET com os humanos... e ter tido menos cenas de destruição e catástrofe. Acho que seria mais interessante.
Ficha técnica
Gênero: Drama, Ficção
Ano: 2008
País de origem: Estados Unidos
Distribuidora: Fox Filmes
Duração: 103 min.
Língua: Inglês
Diretor: Scott Derrickson
Elenco: Keanu Reeves, Jennifer Connelly, Kathy Bates Débora Carvalho de Oliveira | comentários(2)
22/01/2009 15:28 Shopping oferece comida à vontade por R$ 11,90
Comer é um dos grandes prazeres da vida. E não tem nada melhor do que comer fora no dia em que a gente precisou trabalhar até mais tarde e não tem nada pronto em casa. Poder usufruir o conforto da praça de alimentação de um Shopping é um prazer enorme.
Ontem à noite foi um dia desses. Depois de uma reunião que demorou mais do que o previsto, resolvemos passa no Shopping Campo Limpo – o mais próximo. Como era dia de promoção no cinema, os filmes já estavam esgotados e a fila atravessava a praça de alimentação.
Na procura por algo mais saudável e com fila menor do que Mc Donald’s, fomos ao Food’s. Um restaurante que resolveu oferecer comida à vontade por apenas R$ 11,90. As saladas coloridas do Buffet me atraíram. Aquele lugar já experimentou diversos formatos de comércio de comida. Buffet, à vontade, comida à quilo, rodízio de pizza e massas, depois pizza aos pedaços sem rodízio. Agora, comida à vontade, incluindo sobremesa, anunciado por uma fachada bem grande do lado de fora – a qual eu só vi quando estava saindo do local. (Pode?).
Enquanto cominha pepino, ervilhas frescas, alface americano, agrião, fritas e cuz-cuz, não pude deixar de observar os “pratos de pedreiro” que se sentavam à minha volta. Me lembro bem de uma família – um senhor, uma senhora e um garotinho – que se sentaram à minha esquerda. O prato do senhor estava cheio o suficiente para alimentar três adultos. E ele ainda pediu uma torre de cerveja.
À minha direita, alguns garotos na faixa dos 20 anos também se serviram dessa forma. Era comida que dava pra almoço, jantar e almoço no dia seguinte. Pelo menos do meu ponto de vista.
Não pude deixar de reparar o acúmulo de gordura abdominal, o sentar encurvado, a comida caindo da boca no momento da garfada.
Me lembrei de um outro restaurante que fui há algum tempo. O valor de um prato era 5 vezes mais caro do que o desse Buffet. O tamanho da porção era para passarinho, mas o sabor da comida era bem similar. Nada que justificasse cobrar tanto, a não ser o requinte do local.
E todo mundo ali era bem magrinho. Na ocasião, pensei que as pessoas pagavam tanto para comer tão pouco a fim de manter a forma.
Eu realmente gostei da comida à vontade. Me servi coerentemente. Se fosse à quilo talvez o prato tivesse custado entre 8 e 9 reais. Quase me levantei para apanhar mais uma porção de fritas, quando me lembrei que em outro local essa porção extra custaria mais 16 reais. Não é porque estou pagando pouco por comida à vontade que tenho que comer até explodir.
Então fui embora. E dormi pensando até quando o Food’s vai sobreviver cobrando tão pouco de clientes que comem tanto.
Débora Carvalho de Oliveira | comentários(0)
19/01/2009 11:32 A quinta serie é difícil? Melhor resposta - Escolhida pelo autor da pergunta
Resolvi me cadastrar no Yahoo respostas... e dediquei um tempo a assustar um aluno que vai para a quinta série em 2009 e está com medo. Fiquei surpresa quando ele escolheu a minha resposta como a melhor!
http://br.answers.yahoo.com/question/?qid=20090116074921AAS6UBu
De maneira nenhuma. Se você prestar atenção às aulas, fizer todas as tarefas de casa e inciar o hábito de leitura e interpretação de texto, vai tirar de letra. Além do mais, tudo o que aprender agora será reutilzado nas séries seguintes.
Por isso é muito importante que você resolva TODAS as suas dúvidas de TODAS as matérias, porque se não, sempre que for aprender algo na sexta série, vai ter que tirar dúvida do que não aprendeu na quinta, e assim sucessivamente. Além de precisar desse conteúdo para se dar bem nos próximos anos de estudo, também vai precisar desse conhecimento para o vestibular, o Enem, o curso técnico, o concurso público, a vaga de emprego. Então, é melhor estudar agora, enquanto não precisa trabalhar, do que "pirar" lá na frente, quando terá que estudar e trabalhar (se seus pais não são ricos).
Alguns conteúdos, como matemática, são equivocados e deveriam ser ensinados mais tarde para acompanhar o desenvolvimento do cérebro. Mas o MEC determinou assim, então, concentre-se no passo-a-passo de cada exercício e não tenha vergonha de exigir que o professor realmente tire suas dúvidas. Também vale virar o melhor amigo do CDF da turma. Tire vantagens. Faça boas amizades e valorize essa fase da sua vida.
Mas se a matemática for difícil agora, fique tranquilo. No colegial repete tudo de novo e você terá a oportunidade de aprender mais rápido, porque o seu cérebro já será capaz de ter o raciocínio abstrato (vizualiar o não está na sua frente e associar idéias em busca de respostas).
Mas acredite: a matéria mais importante dessa série, e de todas as outras, é a língua portuguesa. Por isso leia muito. Você precisa realmente entender o significado do que lê. Precisa entender a palavra (busque o dicionário, pergunte). Mas não é só isso. Tem que entender a frase inteira, direitinho, e ao invés de ler palavras após palavras para entender a frase, o desafio agora é ler frase após frase e entender o parágrafo inteiro. E mais ainda, parágrafo após parágrafo para entender o capítulo inteiro, e capítulo após capítulo para entender o livro inteiro. E depois disso, fazer um resumo do que você entendeu de todos os capítulos, parágrafos, frases e palavras.
Isso é muito importante para a sua vida, se deseja ter sucesso, pois vai te ajudar a entender melhor todas as outras matérias. A maioria das pessoas vai mal na prova porque não entende a pergunta (enunciado, questão), e por isso não sabe como resolver o exercício de matemática. Então, português é importante para a matemática, a química, a física, e todo o resto - afinal, é a lígua com a qual nos comunicamos.
Na faculdade, o seu desafio será ler livros e mais livros para entender alguma coisa da sua futura profissão, rs... e depois vai ter que formar uma opinião própria (só sua), sobre as idéias de cada autor.
No fim de tudo, vai chegar à conclusão de que o conhecimento é a coisa mais importante do mundo e a única que ninguém pode roubar de você. E o conhecimento pode fazer você conseguir todas as outras coisas que precisa para viver, inclusive dinheiro. Mas conhecimento não é tudo. Tem que ser colocado em prática para valer alguma coisa.
Boa sorte!!
2 dias atrás
Fonte(s):
www.debcaroli.blog-se.com.br
Débora Carvalho de Oliveira | comentários(0)
05/01/2009 18:46 férias letradas Nestas férias, um dos maiores presentes que encontrei - fora o prazer de estar com familiares - foi a descoberta de um verdadeiro tesouro, garimpado entre conversas sobre edição de texto e encrencas: o livro Escrever Melhor, guia para passar os textos a limpo, de Dad Squarisi e Arlete Salvador, publicado pela Editora Contexto. Quem o indicou foi minha prima, estudante de Direito em BSB. Comecei a ler na casa dela, e ao retornar, fui direto na Fnac comprar o meu. Já li quase a metade nessa tarde e recomendo a todos - especialmente quem trabalha editando textos de terceiros, mas essencialmente a quem escreve. Custa apenas 29,90 - e o conteúdo é muito mais do que dois semestres de uma disciplina de faculdade. Sem falar nas dicas que nenhum professor deu na sala de aula.
Outro presente que descobri em BSB, na casa dessa mesma prima, foi o livro Comunicação em Prosa Moderna, de Otto Garcia. Encontrei na estante... atraída pelo título e sobrenome do autor (Garcia, da minha avó). O exemplar da minha tia, que é advogada, estava bem velho, mas encomendei de Brasília mesmo o meu exemplar. Chegou lindo, edição atualizada... um verdadeiro diamante que, mesmo não tendo lido tudo ainda, comparo a dois anos de faculdade. E por apenas 52 reais.
Mais uma dica é o magnífico Edição & Design, de Jan V. White, que encomendei na Saraiva. Um colega de trabalho, diagramador, foi quem fez propaganda. Folheei e descobri que precisava ter o meu. Paguei 60 reais por um conteúdo que também equivale a dois anos de faculdade.
Débora Carvalho de Oliveira | comentários(0)
03/01/2009 12:51 Feliz 2009 Opinião – Correio Braziliense – Brasília, sesta-feira, 2 de janeiro de 2009
Frei Beto
Escritor, é autor de A arte de semar estrelas (Rocco)
Feliz ano-novo aos que hoje acordaram empanturrados, dominados pela ressaca nostálgica da vida saudável que tanto anseiam e não ousam. E aos que, bem cedo, acorreram à posse de políticos, ávidos por uma fatia de poder, prenhes de sorrisos e bajulações.
Seja feliz o ano de quem multiplica as cores do arco-íris, desenha belos horizontes e besunta de chocolate as paredes interiores. E também daqueles que espetam os olhos de Narciso, esvaziam as aljavas de Cupido e miram em Afrodite e beleza da alma.
Feliz ano-novo aos que investiram seus valores na bolsa e, agora, assistem atônitos às oscilações de mercado, sonegados em riqueza e ambições. E aos que depositam suas esperanças na ética da solidariedade, nas utopias de mudanças, nos bens infinitos guardados no âmago da alma.
Seja feliz o ano-novo de quem cultiva indignações com a fonte capaz de saciar a sede de justiça e dos ourives de coerências lapidadas na firmeza de princípios. E também de todos aqueles que dão férias ao ego e calçam as sandálias da desimportância.
Feliz ano aos artífices de irreverências, aos que não temem olhar o semelhante nos olhos nem se julgam melhores do que os outros. E aos que trazem alegria onde chegam e são perdulários em gratidões e elogios.
Seja feliz o ano de quem impregna o coração de teias de aranha, guarda a própria sombra sob a cama e se apresenta ao próximo despido de identidade própria. E dos que tecem intrigas com a própria saliva, destilam venenos sutis e se deixam esmagar pela inércia de começar de novo.
Feliz ano aos que plantam roseiras em abismos metafísicos, admiram o voo dos fazendeiros do ar e não se perdem nas veredas do grande sertão. E a todos os que se fazem crianças no grande circo místico, contemplam no norte a bela estrela Bárbara e assistem em si a um desdobrar de planos.
Feliz ano-novo a quem guarda a fé do carvoeiro, invade o tempo com seu espaço de oração e deixa o espírito bailar aleluias. E também aos peregrinos da dúvida, aos devotos da descrença e aos discípulos das idolatrias atéias. Feliz ano a todos os colecionadores de mágoas, habitantes solitários de florestas sombreadas de ressentimentos, náufragos do desamor. E aos que semeiam alvíssaras, repartem compaixão pelas esquinas e conhecem a arte de regar amizades.
Feliz ano-novo a quem trafega na contramão da sensatez, garimpa miudezas na vida alheia se debruça sobre o próprio umbigo. E aos que bendizem o alvorecer desperto pela passarada, dão ouvidos ao anjo da guarda e se aninham no colo da sabedoria.
Seja feliz o ano de quem enfeita a alma de borboletas, lambuza as palavras de mel e desaprisiona a criança que o habita. E dos que criam marimbondos na quilha das ideias, apunhalam as propostas generosas e transmutam sonhos em pesadelos.
Feliz ano-novo aos leiloeiros de afetos, aos piratas que tomam de assalto a felicidade alheia e aos que evitam se molhar nas lágrimas que suscitam. E aos que subscrevem a lei do tabelião, dão rasteiras em pé de mesa e catam piolhos em cabeça de alfinete.
Sejam felizes nossas expectativas para este ano, nossas intenções mais abscônditas, nossos projetos encasulados. E tragam felicidade a energia que de nós emana, o calor de nossas mãos, a coragem de dizer não ao canto da sereia.
Feliz ano-novo ao que em nós ainda resta de velho, às nossas aspirações mais generosas, aos propósitos que nos fazem levitar em amorosidades.
Feliz ano-novo a você, leitor ou leitora, que justifica o meu ofício e a razão de existir.
Débora Carvalho de Oliveira | comentários(0)
02/01/2009 13:35 Feliz ano-novo com educação Opinião – Correio Braziliense – Brasília, quinta-feira, 1º de janeiro de 2009-01-02
Dioclécio Campos Júnior
Médico, é professor titular da UnB e presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria
A sabedoria popular reconhece que nunca é tarde para navegar sonhos, projetar avanços, delinear mudanças, revitalizar paisagens perdidas. Tem a dinâmica efervescente e a melodia interminável das ondas domar, quando buscam o remanso arenoso da praia para o início de novo ciclo.
Assim é a sociedade humana, uma convergência tão natural quanto fascinante de seres que nascem indivíduos, se socializam pessoas e se completam cidadãos. São entes singulares que requerem aprimoramento contínuo, interminável. Paulo Freire disse que o homem será sempre um ser inacabado. Uma obra cujo projeto não tem prazo para ser concluído. Disse também que, ao descobrir o tempo, o homem aprendeu a temporalizar suas ações, tornando-se desde então, um ser histórico. Daí a coerente sucessão de capítulos, eras, venturas e desventuras por vezes brutais em que se dá a lenta, porém contínua, metamorfose da espécie humana sobre o planeta.
Cada ano que se anuncia novo desponta, como outros tantos, na rota ininterrupta dos calendários vividos. Traz a face deprimida de desejos irrealizados, sombras de quimeras insepultas, amargura de ilusões soterradas. São as impregnações substanciais a mostrar esperanças frustradas, utopias carcomidas, voos existenciais abortados pelo mau tempo social. Traz, também, a alegria das conquistas coletivas ou pessoais, moldadas na essência construtiva da mágica argamassa que pavimenta o caminho da humanidade. Com avanços e recuos, atalhos e desvios, nunca em linha reta, mas no imprevisível rumo que a evolução humana habilidosamente concebe.
O ano-novo é tempo de rever expectativas traídas, fazer renascer a voz de ideais silenciados, atualizar estratégias exauridas pelos preconceitos, retomar lutas adiadas pelas forças do atraso. É o momento que revigora a crença na vocação do homem para o bem comum. Assim chegou o ano de 2009. entre fogos e artifícios, para distrair nossa gente reunida nos coliseus itinerantes da modernidade, impressionada pelas explosões espetaculosas de rara e cara beleza a iluminar a arena celestial da noite de réveillon.
É justamente na alvorada do novo ano que se vislumbram os maiores desafios para a nação brasileira. Alguns, mais palpitante, outros menos. Todos inadiáveis, porquanto se arrastam há tempos sem solução. Por isso, o povo tem de despertar para a premência das transformações que sua dura realidade exige. Não é só abraçar e formular votos de feliz ano-novo. Mas manifestar a reivindicação infantil de que, em 2009, a educação infantil se converta na maior propriedade do Brasil. Não somente a educação escolarizada, mas a garantia de ambientes de proteção e estimulação favoráveis, de qualidade, que permitam a expansão plena de todas as originalidades potenciais do ser humano ao nascer, fontes da riqueza de qualquer sociedade que investe no crescimento e no desenvolvimento saudáveis de suas crianças.
A proposta não é nenhuma novidade. O primeiro projeto de educação infantil defendido no país tem a respeitável autoria de Rui Barbosa. Foi apresentado em 1808. fundamentou-se em justificativa irrefutável, em argumentos tão verdadeiros que nem o tempo lhe reduziu a atualidade. Transcorridos 200 anos, a educação infantil não passou de privilégio das classes ricas. Apenas 17% das crianças em idade pré-escolar, filhas de famílias carentes, têm acesso a cuidados educacionais, ainda assim de qualidade discutível.
A Sociedade Brasileira de Pediatria e a senadora Patrícia Saboya elaboraram projeto de lei que assegura, a todas as crianças despossuídas do país, o direito à educação infantil de qualidade e em tempo integral. A medica cria o Programa Nacional de Educação Infantil, expande a rede de creches e pré-escolas e já tramita no Senado Federal. Sua aprovação precisa ser meta prioritária para o ano-novo. Um passo importante para recuperar os 200 anos perdidos desde a ideia pioneira de Rui Barbosa.
Outros votos reivindicatórios devem firmar-se pra 2009. Que o povo brasileiro comece finalmente a ser respeitado pela elite nacional. Que a educação ocupe todas as agendas do ano. Que se construam escolas de alto padrão, não presídios de segurança máxima. Que se remunere o professor como o juiz de direito para que se faça justiça. Que o investimento na primeira infância seja visto como única política capaz de projetar o Brasil na modernidade. Que os governantes entendam que, sem educação infantil, o país não sairá da areia movediça em que se debate inutilmente há séculos.
Débora Carvalho de Oliveira | comentários(0)
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